sábado, 13 de julho de 2013

O Batismo com Espirito Santo (Parte VII)


VII - Cinco Manifestações Distintas
Alguém já denominou o livro de Atos como "Atos do Espírito Santo", porque a presença do Espírito é marcante e gloriosa, batizando, operando milagres e orientando pregadores e crentes em geral.
Encontramos nesse livro cinco manifestações do batismo com o Espírito Santo. Ele é citado textualmente nas seguintes passagens: 1.2,5,8,16; 2.2,4,17,18,33,38; 4.8,31; 5.3,9; 6.3,5; 7.51,55; 8.15,17,18,19,29,39; 9.17,31; 10.19,38,44,45,47; 11.12,15,24; 13.2,4,9,52; 15.8; 16.6,7; 19.2,6; 20.23,28; 21.4,11; 28.25. Em 11 capítulos, seu nome está ausente (capítulos 3,12,14,17,18,22,23,24,
25,26,27); entretanto sua presença é sentida em cada um deles, pelos milagres realizados.
Das cinco manifestações de batismo, pelo menos quatro aconteceram em cidades consideradas gentias pelos judeus: Samaria, Damasco, Cesaréia e Éfeso.

1. Em Jerusalém
"E, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem" (At 2.2,4).
2. Em Samaria
"Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João, os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o
Espírito Santo. (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.) Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo" (At 8.14-18).
3. Em Damasco
"E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo" (At 9.17).
4. Em Cesaréia
"E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra" (At 10.44).
5. Em Éfeso
"Disse-lhes [Paulo]: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhes: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam línguas e profetizavam" (At 19.2,6).
Não devemos pensar que depois dessas manifestações o Espírito Santo parou de batizar os cristãos. Pelo contrário, Ele continuou (e continua) batizando.
A bênção do batismo é distinta do novo nascimento (Jo.3.3,5,6,8). Todo crente fiel tem o Espírito Santo, mas nem todos são batizados com o Espírito Santo. Os discípulos de Cristo já tinham o Espírito Santo antes do Pentecoste (Jo 20.22). Entretanto, somente depois do Pentecoste é que foram batizados.
Jesus quer batizar a todos! Basta que pecamos e confiemos na promessa do Pai: "Porque qualquer que pede recebe. Pois, se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo aqueles que lho pedirem?" (Lc 11.10,13). Jamais devemos nos aproximar de Deus pensando que somos merecedores de tão grande bênção. Deus não nos abençoa por aquilo que merecemos, e sim pelo que precisamos. Todos somos carentes de Deus, que "segundo as suas riquezas, suprirá" as nossas necessidades (Fp 4.19), inclusive a do batismo com o Espírito Santo.
Em cada uma das ocasiões mencionadas acima, houve sinais externos da manifestação do Espírito. Em Jerusalém, ouviu-se um "som como de um vento veemente e impetuoso" e as "línguas repartidas como que de fogo" acompanharam a descida oficial do Espírito Santo.
O fenômeno foi tão intenso que os discípulos ali reunidos não somente ouviram e sentiram, mas chegaram a ver as próprias línguas (v. 3).
"O vento e o fogo precederam a plenitude dos discípulos; o dom de línguas, entretanto, veio como resultado da plenitude. O vento e o fogo jamais se repartiram em outras ocasiões, mas o dom de línguas sempre estava presente em cada ocasião". 

O segundo episódio marcou a presença de Pedro e João na cidade de Samaria, e a evidência externa foi o dom de línguas. O mago Simão percebeu e até desejou reproduzir os efeitos extraordinários da imposição de mãos dos apóstolos. Schaff declara:
"Os dons do Espírito Santo eram claramente visíveis. A imposição das mãos dos apóstolos conferia alguma coisa mais do que a graça espiritual interior; os dons milagrosos externos de uma outra espécie eram claramente concedidos". (10)
Os samaritanos haviam sido convertidos a Cristo pela poderosa mensagem de Filipe, o evangelista, mas ainda lhes faltava o dom do Espírito Santo. Agora, porém, com a presença de Pedro e de
João, o batismo fez-se acompanhar de efeitos externos. Os samaritanos provaram o dom celestial.
Em Damasco, na casa de Judas, após a conversão de Saulo, chega um discípulo chamado Ananias, o qual entrando na casa disse:
"Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo". 

A missão deste discípulo até então oculto, mas cheio de poder, era realizar três coisas que seriam de extrema importância na vida de Saulo:
• impor-lhe as mãos para curá-lo;
• num ato semelhante, fazer com que o Espírito Santo o batizasse;
• torná-lo membro do corpo visível de Cristo, que é a sua Igreja, pelo batismo nas águas.
No quarto episódio, na cidade de Cesaréia, Pedro se encontrava na casa de "um certo Simão, curtidor" (At 10.6), quando foi divinamente orientado a ir à casa de Cornélio, a fim de que este, através da pregação do apóstolo, fosse salvo. Deus agiu assim para quebrar uma tradição separatista entre judeus e gentios.
Os judeus da circuncisão, mesmo convertidos ao Cristianismo, não aceitavam a salvação dos gentios. Há séculos os judeus repetem um provérbio: "O Espírito Santo jamais repousa sobre um pagão".
Era tal a discordância entre os judeus a respeito deste ponto, que foi necessário um concilio, em Jerusalém, para resolver a questão (At 11.1-3; 15.1-29).
Quantos, em nossos dias, incorrem no mesmo equívoco daqueles irmãos primitivos que recusavam ou punham ressalvas à admissão dos gentios na igreja! Entre aqueles estava Pedro.
Os saduceus entraram em choque com Cristo porque sua doutrina contrariava em muito os ensinos deles, que eram céticos quanto ao mundo superior. Não aceitavam as personalidades do mundo espiritual. Para eles, "não há ressurreição, nem anjo, nem espírito" (At 23.8). Jesus discerniu muito bem a situação do grupo:
"Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus" (Mt 22.29).
Em nossos dias, vemos pessoas bem intencionadas contestando certas operações do Espírito Santo. Interpretam a Bíblia unicamente pela lógica, deixando de lado a operação divina mediante a fé consumada por nosso Senhor Jesus Cristo.
A lógica sempre questiona; a fé sempre aceita. Não estamos negando o valor da lógica. Nossa vontade orienta-se por si mesma, em virtude de uma espécie de lógica imanente, na direção do Bem
absoluto e do Ser necessário. Em outras palavras, em direção a Deus, fim último, no qual nosso coração pode encontrar a paz desejada e a alegria perfeita. Entretanto, pelo caminho da lógica o processo é lento, enquanto que os passos da fé são rápidos. Num momento, através de uma operação sobrenatural do Espírito, pode-se atingir o mais elevado grau de santidade e aquela perfeição ensinada por Cristo e aspirada por nossas almas.

Cremos que essa repentina manifestação do Espírito Santo sobre os gentios incircuncisos era necessária, para convencer a Pedro e aos seus irmãos da circuncisão de que Deus abriria largamente a
porta para os gentios. Serviu como prova da chegada de um Pentecoste gentílico, e Pedro se utilizou eficazmente do fato, em sua defesa, em Jerusalém. (11)
Gentios, convertidos da casa de Cornélio, adquiriram novos corações e novas línguas; e, tendo crido de todo o coração na justiça de Deus, suas línguas confessavam a salvação; e Deus foi glorificado
na misericórdia que demonstrou.
No quinto e último episódio, o Espírito Santo batizou discípulos de Cristo na cidade de Éfeso. O apóstolo Paulo, após uma longa caminhada pelas "regiões superiores", chegou à capital da província romana da Ásia Menor (hoje parte da Turquia Asiática), uma das três maiores cidades do litoral leste do mar Mediterrâneo (as outras eram Antioquia da Síria e Alexandria). Após o grande mestre ter orado ali com um grupo de 12 homens, eles "falavam línguas e profetizavam" (At 19.6).
O Dr. D. D. Whedom declara: "Temos em Samaria, como em Cesaréia e em Éfeso, um Pentecoste em miniatura, no qual parece ter lugar uma nova inauguração, pela repetição da mesma efusão carismática". Para nós, porém, isso não somente significa uma "nova inauguração", mas uma "continuação" da promessa de Deus a seu Filho.
Em cinco casos de batismo com o Espírito Santo, quatro (isto é, em Jerusalém, Samaria, Cesaréia e Éfeso) tiveram como resultado imediato e evidência externa o falar em línguas (At 2.3,4; 8.17,18; 10.44-46; 19.6).

Alguém escreveu: "A despeito de frenéticos esforços de alguns para provar o contrário, a declaração clara e evidente da palavra é que todos receberam o dom de línguas do Espírito Santo".
E: "O registro do recebimento do batismo com o Espírito Santo pelos samaritanos indica fortemente a presença das línguas, que todo estudioso da Bíblia sem preconceito está certo de que elas foram
manifestadas lá também".
O sinal evidente do batismo com o Espírito Santo é o falar em línguas. Quando assim não acontece, passa a existir a dúvida - o que não é bom.

Pr. Severino Pedro da Silva  
 
Artigo adaptado do livro A Existência e a Pessoa do Espírito Santo, publicado pela Editora CPAD
 

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