O ataque principal destes “milicianos” deixou de ser aquela simples alegação de que “não há evidências da existência de um ser superior”, mas agora batalham pela erradicação completa de qualquer forma de religião no mundo, sob o argumento que a humanidade será melhor sem elas. 

Os ateus mais conhecidos da atualidade são Christopher Hitchens, Sam Harris, Richard Dawkins, Michel Onfray, entre outros.
Todavia a Bíblia chama de “tolos” a todos os homens que dizem em seu coração que não há Deus, e diz ainda que os tais se corromperam:
“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem.” (Salmos 14:1)
A verdade é que é possível deduzir cinco grandes evidencias da existência de Deus que são encontradas: na natureza humana, na história humana e na criação. Tais evidências ficaram conhecidos como argumentos, sendo eles: Argumento Cosmológico, Argumento Teleológico, Argumento Antropológico (ou da Moral), Argumento Histórico e o Argumento do Desígnio Inteligente.
O estudo desses argumentos é muito útil para o convencimento de pessoas que, genuinamente, buscam Deus, mas cuja fé tem sido atacada por pensamentos incrédulos, ou mesmo cuja fé tem andado abalada pelos constantes ataques ateístas de hoje.
Nesse primeiro texto da série, estudaremos o primeiro desses argumentos.

1. Argumento Cosmológico

(comologia do grego κοσμολογία, κόσμος=”cosmos”/”ordem”/”mundo” + -λογία=”discurso” / “estudo”)
Trata-se de um raciocínio filosófico que apresenta uma “causa primeira”, ou um Criador, para a existência do universo.
Mas para que possamos entender bem esse argumento, é necessário conhecermos um teólogo, o senhor Al-Ghazali, que viveu no século XII na Pérsia, Irã, e que escreveu uma importante crítica chamada A Incoerência dos Filósofos, onde argumentou que tudo, ou qualquer coisa, tem uma causa. Ele disse o seguinte:
“Todo ente que começa a existir tem uma causa; ora, o universo é um ente que começou a existir; logo, ele possui uma causa para ter começado a existir”[1]
Em resumo Al-Ghazali diz que: tudo que existe tem uma causa, o universo existe, logo, o universo tem uma causa. E por causa lê-se criador, um criador transcendente, ou seja, Deus.
É como nos ensina Myer Pearlman:
“A razão argumenta que o Universo deve ter um princípio. Todo efeito deve ter uma causa satisfatória. O Universo, que é o efeito, deve ter portanto uma causa. Consideremos a extensão do Universo. […] Consideremos nosso pequeno planeta e, nele, as várias formas de vida existentes, as quais revelam inteligência e desígnio. Naturalmente, surge a questão: “Como tudo isso se originou?”. A pergunta é natural, pois nossa mente é constituída de tal forma que espera que todo efeito tenha uma causa. Logo concluímos que o Universo deve ter tido uma ‘causa primeira’, ou um Criador. ‘No princípio – Deus’(Gn 1:1).”[2]
 Não podemos deixar de citar William Lane Craig, considerado o maior apologista da atualidade:
“A pergunta ‘Por que as coisas existem?’ é a mais profunda questão da Filosofia. Tipicamente, os ateus respondem a essa pergunta dizendo que o Universo é apenas eterno e sem causa. Mas há boas razões, tanto filosóficas quanto científicas, para pensar que o Universo começou a existir. Deve ter havido uma causa que trouxe o Universo à existência. E, como a causa do espaço e do tempo, essa deve ser um Ser não-causado, atemporal, aespacial, imaterial e de poder incompreensível. Além disso, ele deve também ser pessoal. Por que? Porque a causa deve transcender espaço e tempo. Portanto, não pode ser física ou material, e há apenas dois tipos de coisas que se encaixam nessa descrição: ou um objeto abstrato, como números, ou uma mentes pessoal. Mas, objetos abstratos não podem causar nada. Portanto, segue-se que a causa do Universo é uma mente transcendental e inteligente. Assim, o argumento cosmológico nos dá um Criador pessoal do Universo.”
Assim, temos uma breve exposição do Argumento Cosmológico, em que tudo que começou a existir teve uma causa, e como o Universo começou a existir, a razão nos leva a concluir que ele teve uma Causa transcendente, ou seja, um Criador, nosso Deus.


[1] CRAIG, William Lane. Em Guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão. São Paulo: Vida Nova, 2011. Pg. 81, citando Al-Ghazali Kitab al-Iatisad fi’l-I’tiqad, citado em S. de beaurecuei, “Gazzali et S. Thomas d’Aquin: Essai sur la preuve de l’existence de Dieu proposée dans l’Iqtisad et as comparaison avec les ‘voies’ Thomiste”, Bulletin de l’Institut Francais d’Archaeologie Orientale 46 (1947): 203.
[2] MYER, Pearlman. Conhecendo as doutrinas da Bíblia: tradução Lawrence Olson. Ed. 3. São Paulo: Vida Nova, 2009. Pg. 43/44.